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Profeta Daniel – Livro Grátis – Socorro em tempos de Crise

Profeta Daniel - Livro Grátis

Estudo sobre o livro do Profeta Daniel

O livro do Profeta Daniel é um equivalente do Apocalipse no Velho testamento, sesse e-book grátis nos dedicamos ao capítulo 6 especificamente. Clique no link abaixo para baixar o livro grátis com esse tema bíblico maravilhoso.

Socorro em meio a crise

A cova dos leões: o terceiro teste de fidelidade do profeta Daniel (Dn 6.1-28)
Panorama geral.

Daniel e a cova dos leões talvez seja a história mais popular do livro. O dra­ma sobre um homem temente a Deus que é salvo da boca dos leões e uma moral descomplicada sobre a recompensa da fé têm um forte apelo entre os públicos de todas as idades e de todas as gerações.

Entretanto, a história é sobre muito mais do que leões e livramentos dramáticos. Como as histórias anteriores de Daniel, ela enfoca os reinos em conflito. A narrativa se desenvolve em torno de três editos reais, dois de Dario e um de Deus.

Nas palavras do texto, “a lei do Deus dele” desafia “a lei dos medos e dos persas”. No fim, Dario anuncia uma nova lei que reconhece a supremacia do governo de Deus. O conflito entre as duas esferas dos legisladores fornece o cenário para outro teste de fidelidade para o profeta Daniel e o seu Deus. Mais uma vez o Senhor e o seu servo triunfam de forma espetacular.

Por trás do texto do profeta Daniel

O capítulo 6 deve ser lido como um seguimento natural do capítulo 5. O último versículo do capítulo 5 liga os dois capítulos. Ele na verdade é empre­gado como o primeiro versículo do capítulo 6 na Bíblia hebraica. Portanto, ao longo de todo o capítulo, a numeração dos versículos nas Escrituras hebraicas varia com relação às versões em inglês.

Daniel 5.31 em inglês é 6.1 em hebraico, e assim por diante. Esse versículo anuncia a tomada da Babilônia pelos persas e introduz Dario, o medo. A conexão com o capítulo 6 é lógica, mas a divisão das versões em inglês é mais apropriada.

A referência à idade de Dario parece mais apropriada como uma conclusão para o capítulo 5 do que uma introdução para o capítulo 6. O número 62 parece referenciar o valor numérico das palavras da inscrição na parede do capítulo 5.

O conteúdo de Dn 5.31 prepara o leitor para um novo contexto no capítulo 6. Um reino novo substitui o antigo. Um monarca maduro e benevolente é revestido de autoridade em lugar de um pretendente ao trono jovem, frívolo e antagônico.

Finalmente, um administrador competente, cujos dons são reco­nhecidos pelo seu rei, emerge no lugar de um sábio ignorado e desrespeitado cujas habilidades foram quase esquecidas.

A corte persa fornece o contexto sociopolítico do capítulo 6. Isso é dife­rente do capítulo anterior, porém de certo modo familiar. Os primeiros cinco capítulos de Daniel ocorrem no contexto da corte babilônica durante o perío­do de Nabucodonosor (604-562 a.C.) a Belsazar (550-539 a.C.), o corregente de Nabonido (560-539 a.C.). Em 539 a.C., o império emergente dos medos e persas solidificou o seu controle do Oriente Médio ao tomar a Babilônia. Esse é o evento citado em Daniel 5.30,31.

O rei persa, Ciro, o Grande, havia edifi­cado sistematicamente o seu império desde que se rebelara contra o seu senhor medo em 550 a.C.. Ele subjugou a Lídia e outras entidades orientais antes de invadir a Babilônia. Uma vez que a Babilônia foi conquistada, ela se tornou a sua residência de inverno. O leitor pode presumir que esse seja o local dos eventos do cap. 6, mas o texto não diz isso explicitamente.

O monarca do capítulo 6 é identificado como Dario. Ele é chamado de “Dario, o medo” em Dn 5.31 e “Dario, filho de Xerxes” (um descendente dos me­dos) em Dn 9.1. De acordo com Dn 5.31, ele “apoderou-se do reino” dos babilônios “com a idade de sessenta e dois anos”. Em Dn 9.1, ele é descrito como alguém que “foi constituído governante do reino babilônio”. Essas referências apresentam um problema histórico.

Em fontes extrabíblicas, ninguém conhecido por esse nome se encaixa a essa descrição. O nome Dario aparece pela primeira vez nas listas de reis persas com Dario I (522-485 a.C.). Outros que usaram o nome foram Dario II (423-404 a.C.) e Dario III (336- 330 a.C.). Todos esses indiví­duos apareceram tarde demais para estarem associados ao profeta Daniel.

Os estudiosos têm sugerido diversas formas de lidar com essa questão his­tórica. Uma das abordagens é considerar o Dario de Daniel como um persona­gem fictício inventado apenas como um recurso literário. Ele talvez represente um retrato composto de diversos reis persas tais como Ciro, que na verdade conquistou a Babilônia, e Dario I, que ficou conhecido por ter organizado o império em satrapias.

Aqueles que datam o livro de Daniel do segundo século a.C. muitas vezes adotam esse ponto de vista. Eles presumem que a historici­dade dos personagens e eventos não é tão importante quanto as mensagens das histórias em Daniel.

Esses estudiosos também observam que a aparição de Dario, o medo, antes de Ciro, o persa no livro parece se encaixar ao entendimento histórico confuso do autor. O último editor do livro de Daniel, eles dizem, acreditava que houve um Império Medo antes do Império Persa.
Outra abordagem é procurar um personagem histórico conhecido que se encaixe à descrição de Dario.

Esse ponto de vista sugere que Dario é um nome alternativo, muito provavelmente um título real, para alguém mencionado em textos seculares. Nomes e títulos duais não eram incomuns nos tempos antigos. Embora diversas possibilidades tenham sido sugeridas, os dois candidatos prin­cipais para uma figura histórica por trás do Dario de Daniel são Ciro e Gubaru.

Ciro, o Grande, foi o rei persa creditado com a conquista da Babilônia em 539 a.C.. Ele tinha cerca de 62 anos na época e era metade médio. Sua mãe era filha do rei medo Astiages. Seu pai, Cambises, também tinha sangue real, o que talvez explique a referência em Daniel 9.1.

Esse versículo chama Dario de “filho de Xerxes”. Xerxes (Assuero em hebraico) também era um título real que significava “aquele que governa sobre os homens”. Embora não haja nenhuma documentação para apoiar essa teoria, alguns estudiosos sugerem que Xerxes talvez seja um título alternativo para o pai ou o avô de Ciro.

Está claro que Daniel 9.1 não se refere ao Xerxes I (485-465 a.C.), que era o filho de Dario I, a menos que a referência seja tida como uma visão confusa da história.


O fato de Ciro ter dois títulos poderia fazer sentido nesse contexto. A base do poder do seu reino dependia tanto dos medos como dos persas. O título Dario, o medo, então apelaria para os seus súditos medos, enquanto Ciro ape­laria para os persas. Daniel 6.28 talvez apoie essa conexão.

É possível traduzir o versículo como “Assim Daniel prosperou durante o reinado de Dario, ou seja, o reinado de Ciro, o persa”. A conjunção waw pode funcionar como uma ex­plicação tanto em aramaico como em hebraico. Portanto, Dn 6.28 poderia estar esclarecendo que Dario e Ciro eram a mesma pessoa.

A outra identidade possível para Dario é Gubaru, também chamado de Go­brias pelos historiadores gregos. Gubaru serviu ou como comandante na conquista da Babilônia ou como seu governante após a sua queda.

Se Gubaru for a mesma pessoa que Ugbaru, então ele funcionou em ambos os papéis. Daniel 5.31 afirma que Dario “apoderou-se do reino”, e 9.1 declara que ele “foi constituído gover­nante”. Ambos se encaixam na descrição de alguém como Gubaru, que teria sido autorizado por Ciro a governar. De acordo com o historiador grego Xenofonte, ele era um homem “avançado em idade” quando tomou o controle da Babilônia.

É possível, então, identificar Dario com uma figura histórica real, seja ela Ciro ou Gubaru. Ambos se encaixam no contexto dos eventos do capítulo 6. Como o texto sugere, esses eram os primeiros dias de organização governamental dos territórios recém-conquistados depois da queda da Babilônia.

A referência à nomeação de cento e vinte sátrapas para governarem todo o reino provavel­mente reflete esses estágios iniciais (v. 1). Mais tarde, sob Dario I (522-485 a.C.), o império desenvolveria seu sistema bem planejado de 20 a 29 satrapias ou provín­cias pelas quais o Império Persa se tornou conhecido. Um oficial chamado sátrapa administrava cada uma dessas províncias e se reportava diretamente ao rei.

A essa altura, o termo “sátrapa” adquiriu um significado técnico junto ao seu sentido mais genérico de “protetor do reino”. No capítulo 6, um grande número desses protetores recebeu a responsabilidade de administrar diversas regiões do reino. Ester 1.1 ; 8.9 mencionam 127 satrapias no tempo de Xerxes I (485-465 a.C.). Primeiro Esdras 3.2 e o antigo grego de Daniel 6.1 também mencionam esse número.

Para proteger os interesses do rei, três supervisores dirigiam os diver­sos sátrapas (v. 2). Esse elemento do governo persa não pode ser diretamente apoiado por nenhum documento remanescente do império. Sob um sistema posterior na época de Dario I, três indivíduos tinham o mesmo grau de respon­sabilidade diante do rei por cada província.

Esses incluíam um sátrapa, um co­mandante militar e um servo civil. Se o profeta Daniel no capítulo 6 referir-se apenas à organização da província babilônica, então o sistema sob Dario I fornece um bom paralelo a Daniel 6.2. Do contrário, Esdras 7.14, Ester 1.14 c os historiadores gregos Heródoto e Xenofonte se referem aos sete principais conselheiros dos reis da Pérsia no quinto século a.C..

Os três supervisores de Daniel poderiam refletir um estágio inicial da função desses conselheiros.

O sistema era obviamente flexível a essa altura, já que Dario contemplou a possibilidade de colocar o profeta Daniel à frente do governo de todo o império (Dn 6.3). Isso indica uma posição como o conselheiro de maior confiança do rei, o que não era incomum em todo o mundo antigo.

No livro de Ester, Hamã detinha esse status sob Xerxes, sendo substituído por Mardoqueu no final (Et 3.1; 10.3). José foi elevado a uma posição semelhante sob Faraó no Egito (Gn 41.41-43).

Dario emite dois decretos na história. Ester 8.9,10 descreve o processo pelo qual isso era feito. Os escribas faziam cópias do edito em diversas línguas para comunicá-lo a cada um dos povos do reino. O rei assinava e selava os de­cretos com o seu anel-selo. Então mensageiros montados em cavalos levavam a mensagem às diversas regiões do império.

A natureza do primeiro decreto aprovado por Dario tem levantado algu­mas questões entre os estudiosos. Ele proibia que se fizessem petições a qual­quer deus ou a qualquer homem, à exceção do rei (v. 7).

Se isso sugerir a dei­ficação do rei ou uma adoração exclusiva [a ele], então o relato não se encaixa de modo algum ao caráter dos reis persas, principalmente o de Ciro. Os textos são unânimes em afirmar que Ciro e os seus sucessores encorajavam a adoração a todos os deuses e não viam a si próprios como seres divinos.

O Cilindro de Ciro ilustra essa posição ao proclamar a liberdade aos cativos exilados, encorajando o seu retorno às suas terras natais e a reconstrução de templos para os seus próprios deuses. Esdras concorda com essa política oficial persa e registra o apoio do es­tado à reconstrução do templo em Jerusalém (Ed 1.1-6.22).

Se o edito em Daniel 6 é autêntico, então ele não pode ser entendido como uma tentativa de fazer do rei uma divindade ou de restringir a adoração a outros deuses. Ele teria que ser sobre designar o rei como o único representante [dos homens] diante dos deuses.

Talvez ele executasse a principal função sacerdotal de medidor entre os deuses e o povo. Dessa forma, a legitimidade do seu governo seria reconhecida. Tal exigên­cia teria um apelo particular para um monarca nos primeiros dias do seu reinado. Portanto, a lealdade ao estado era o ponto central do decreto.

De acordo com o decreto, aqueles que não estiverem dispostos a demonstrar a sua lealdade ao rei dessa forma devem enfrentar a ordália da cova dos le­ões. A execução por esse método não é documentada nos documentos contem­porâneos.

Entretanto, os assírios e os persas eram conhecidos por caçarem e enjaularem esses animais. Eles certamente apresentavam uma opção lógica para a punição capital.

A linguagem do profeta Daniel indica que a cova dos leões poderia ser entendida como uma ordália. Ele diz que ele foi considerado inocente à vista de Deus (v. 22). A ordália era muito comum no mundo antigo. A prática submetia as vítimas acusadas a algum perigo designado a provar sua culpa ou inocência.

Uma dessas táticas era amarrar pessoas e jogá-las no rio. Aqueles que sobrevivessem a essas ordálias eram proclamados inocentes por terem sido miraculosamente salvas pelos deuses.

A imutabilidade da lei dos medos e dos persas cria outra questão para os estudiosos (v. 8,12,15). Exceto por Ester 1.9 ; 8.8, a ideia não é fortemente au­tenticada por fontes seculares. Talvez possamos considerá-la, contudo, como um padrão razoável para a realeza. Um monarca que mudasse de ideia com frequência teria sua autoridade minada. Ao que se diz, o último rei persa, Dario III, sentia que não poderia reverter uma sentença de morte uma vez que esta fosse decretada.

Além disso, o antigo Código de Hamurabi transforma­va em crime a mudança de decisão de um juiz. Entretanto, sabe-se de alguns monarcas que alteraram decretos. Talvez seja por isso que os conspiradores da história enfatizaram tanto essa questão ao falarem com o rei.

Por tradição, as leis eram imutáveis, mas alguns monarcas elaboravam suas próprias regras. Os reis persas construíram um dos impérios mais importantes que o mundo já conheceu, como atesta a sua longevidade. A firmeza com a qual os medos e os persas normalmente aderiam às suas leis provavelmente inspirou as referências às leis inalteráveis que não podiam ser revogadas (v. 8,12,15).

A natureza inviolável da lei medo-persa estabelece o conflito da história, a qual é contada por meio de um gênero familiar chamado conflito e intrigas de corte. Em particular, ela exibe traços de uma trama muito conhecida nos tempos antigos sobre a queda e a reabilitação de um oficial da corte.

Conspiradores maquinam contra uma pessoa boa, a qual de algum modo triunfa no final. Provérbios 24.15,16 resume sucintamente a moral dessas histórias quando adverte: “Não fique de tocaia, como faz o ímpio, contra a casa do justo, e não destrua o seu local de repouso, pois ainda que o justo caia sete vezes, tornará a erguer-se, mas os ímpios são arrastados pela calamidade”. Exemplos desse gênero incluem a história de José em Gênesis 39.1-41.57, o livro de Ester, a adição apócrifa a Daniel chamada Bel e o dragão e a lenda assíria de Ahikar. Daniel 3 também ilustra esse gênero.

A história apócrifa Bel e o dragão apresenta algumas ligações interessantes com o capítulo 6. Nessa história, Daniel era um estimado administrador de um rei persa que se chamava Ciro. Seus oponentes convencem o rei a jogar Daniel numa cova de leões, da qual ele é miraculosamente livrado. A não ser por essas características, as histórias são bastante diferentes.

O tema principal de Bel e o dragão é a futilidade da adoração aos ídolos.
As conexões entre os capítulos 6 e 3 são mais marcantes. Ambos falam de colegas invejosos, conspirações e acusações contra os judeus, perigos impossí­veis, resgates por anjos, decretos reais, e, no final, a prosperidade dos judeus. Diversos termos específicos são compartilhados por ambas as histórias.

Por exemplo, as listas de oficiais da corte, as quais consistem em sua maior parte de termos emprestados do persa e do acadiano, são muito similares (Dn 3.2; 6.8). Além disso, as descrições dos conspiradores incluem o fato de que eles comeram pedaços do acusado (traduzido como “denunciaram” em Dn 3.8 e “tinham acusa­do” em Dn 6.24) e os decretos são endereçados “aos homens de todas as nações, povos e línguas” (Dn 3.4,29; 6.25).

Fica claro, portanto, que essas duas histórias foram criadas para que pudessem ser lidas com referência uma à outra. Elas se equilibram na estrutura quiásmica da seção aramaica do livro, emoldurando a parelha central formada pelos capítulos 4 e 5 (veja Por trás do texto do cap. 2).

Diversas diferenças entre os capítulos 3 e 6, contudo, enfatizam a singu­laridade de cada história e as mudanças no contexto. A questão que desafiava Sadraque, Mesaque e Abede-Nego estava centrada na adoração pública, en­quanto a de Daniel enfocava a adoração privada.

O papel dos conspiradores é mais bem desenvolvido no capítulo 6. No capítulo 3, eles agem como meros catalizadores que desencadeiam o discurso inflamado de Nabucodonosor con­tra os judeus. No capítulo 6, eles são vividamente caracterizados por meio de suas ações e falas. Eles manipulam e incitam o rei a agir.

O papel dos reis nessas histórias também é bastante diferente. Nabucodonosor inicia o decreto que constitui um problema para os judeus cativos, enquanto Dario é manipula­do a emitir um decreto.

Mais notável ainda é a [diferença de] atitude dos reis com relação aos cativos e ao seu Deus. Nabucodonosor age com um desprezo pomposo com relação a ambos e propõe um desafio direto à autoridade divi­na.

Dario, por outro lado, exibe uma preocupação genuína com Daniel e uma abertura para com o seu Deus. Esse último ponto sem dúvida reflete a atmosfe­ra contrastante desses dois impérios. Os persas eram mais abertos à diversidade religiosa dentro do seu próprio império do que os babilônios.

As versões grega e hebraica de Dn 6

As diferenças entre o antigo grego (Septuaginta) e os textos masso­réticos do capítulo 6 são menos numerosas do que nos capítulos 4 e 5. Contudo, há variações significativas. Em geral, o grego tende a adicio­nar afirmações que esclarecem detalhes ausentes no aramaico. As mo­tivações dos personagens, por exemplo, são descritas.

O grego também elimina certas nuances encontradas no aramaico. Por exemplo, ele não menciona “a lei dos medos e dos persas” cada vez que a frase é repetida no aramaico. Essa e outras alterações deslocam o foco da história para Dario, minimizando a importância do conflito entre a lei humana e a divi­na. No final da Septuaginta, Dario confessa abertamente a sua fé pessoal no Deus de Daniel, algo que não acontece no aramaico.

Nessa história, Daniel é caracterizado como um burocrata altamente ca­paz. Isso é um tanto diferente dos seus papéis nas histórias anteriores, as quais enfatizavam a sua habilidade de interpretar comunicados divinos. Ele foi, con­tudo, designado como “chefe dos magos” (Dn 4.9; 5.11), o que implicava deveres administrativos.

A associação entre a tradição da sabedoria e o governo do esta­do era significativa no mundo antigo. Como a tradição bíblica reflete, os sábios eram mais do que apêndices dos sistemas de governo em todo o mundo antigo. A sua contribuição era integral. O currículo dos administradores incluía cole­ções de provérbios e de outras obras de sabedoria.

Muitos dos provérbios das Escrituras hebraicas lidam com a conduta dos reis e dos seus oficiais (ex., Pv 25.1-10). Portanto, o papel de Daniel nesse capítulo condiz com o seu treina­mento e expertise.

A estrutura geral do capítulo 6 segue a mesma progressão encontrada nos testes de fidelidade dos capítulos 1 e 3. O contexto é descrito (v. 1-3), um teste é planejado (v. 4-18) e o resultado é narrado (v. 19-28). Esses componentes podem ser subdivididos entre as diversas cenas do drama. Essas incluiriam a conspiração (v. 1-9), a ofensa (v. 10-15), a execução (v. 16-18), o livramento (v. 19-23) e a conclusão (v. 24-28).

Assim como ocorre com muitas outras histórias, uma estrutura quiásmica pode ser detectada ao longo da narrativa. O sucesso de Daniel relatado nos primeiros versículos (v. 1-3) retorna no último versículo (v. 28). A maquinação dos conspiradores e o seu edito planejado (v. 4-9) são equilibrados pela morte desses conspiradores e um segundo edito que substitui o primeiro (v. 24-27).

As atitudes fiéis de Daniel (v. 10,11) encontram sua recompensa no livramento da cova (v. 19-23). A pressão ansiosa dos conspiradores para que o rei prossiga com a execução de Daniel (v. 12-15) equilibra a relutância do rei em selar a sua sorte (v. 17-19). No centro desse quiasma está a ordem de execução juntamente com a oração do rei por Daniel (v. 16).

A estrutura quiásmica tende a focar a atenção nesse momento dramático, quando a única esperança de Daniel é um livramento miraculoso da parte de Deus.
No texto

A conspiração (Dn 6.1-9)
A narrativa começa com um breve esboço do contexto (v. 1-3) e uma des­crição da intriga que produz a tensão na história (v. 4-9). Todos os personagens principais são introduzidos. Esses incluem o protagonista Profeta Daniel, além dos seus antagonistas, tanto os intencionais como os não intencionais. Os colegas de Daniel se opõem intencionalmente a ele, enquanto o rei o faz sem querer.

Ao contrário das histórias anteriores, a introdução de Daniel não é adiada no texto. O desenvolvimento da trama requer que suas habilidades excepcionais sejam logo conhecidas.

Talvez o leitor observe, contudo, que o profeta Daniel não fala até um momento posterior na história. Essas características tendem a deslocar o foco da atenção dos leitores de Daniel para o quarto personagem principal da narrativa: Deus.

1-2 As circunstâncias do capítulo 6 são singulares entre as histórias em Daniel. Essa narrativa acontece dentro do contexto de uma corte persa, e não babilônica. Um governante persa chamado Dario agora está no poder (v. 1). De acordo com Daniel 5.30,31, essa é a pessoa que “apoderou-se do reino” ba­bilônico depois da morte de Belsazar.

Fontes contemporâneas não identificam esse primeiro governante da Babilônia pelo nome de Dario, mas pelo menos duas pessoas se encaixam na descrição. Dario talvez seja um nome ou título al­ternativo de um comandante chamado Gubaru ou do próprio Ciro, o Grande, (veja Por trás do texto, anteriormente).

O texto descreve o plano de Dario para governar o território recém-ad­quirido. O reino era dividido em 120 regiões, cada uma delas administrada por um oficial chamado sátrapa. Esses cento e vinte sátrapas por sua vez se reportavam a três supervisores (v. 1,2). Ironicamente, o narrador observa que a razão para esse sistema elaborado era para que o rei não sofresse nenhu­ma perda (v. 2).

Na verdade, foi esse mesmo sistema que levou a uma intriga que quase causou a perda de um dos seus conselheiros mais confiáveis. O tema principal da história é introduzido de uma forma sutil: todo o planejamento cuidadoso dos homens não pode trazer a estabilidade que eles desejam.

3 Dano observou que Daniel se sobressaía na administração. Como um sábio profissional, o profeta Daniel seria bem versado em provérbios e nas histórias de sabedoria que faziam parte do treinamento dos administradores.

Mais do que isso, contudo, ele demonstrava grandes qualidades (v. 3). Essa expressão signi­fica literalmente que “um espírito excelente estava nele”. Isso lembra a observa­ção de Nabucodonosor de que “o espírito dos santos deuses” estava em Daniel (Dn 4.18). A fonte da excelência de Daniel era a sua conexão com Deus.

Daniel se destacou tanto entre os oficiais do governo que o rei estava planejando promovê-lo ainda mais (v. 3). O rei queria colocá-lo à frente do governo de todo o império, o que sugere uma posição semelhante à de Hamã e depois de Mardoqueu sob Xerxes (Et 3.1; 10.3). Foi essa consideração por parte do rei que precipitou a crise da história.

Os outros oficiais do reino viram isso como uma ameaça e procuraram neutralizá-la. Suas motivações não são explicadas a essa altura, mas comentários no versículo 13 as revelarão.

4 Certos oficiais de alto escalão conspiraram contra Daniel para bloquear a sua promoção. O mais provável é que nem todos os 122 supervisores e os sátrapas estivessem envolvidos (v. 4).

O grego antigo identifica apenas os dois outros supervisores como oponentes, embora o aramaico inclua pelo menos alguns dos sátrapas juntamente com os supervisores. Inicialmente eles procu­raram alguma falha em sua administração governamental para que pudessem encontrar motivos para acusar Daniel (v. 4).

Isso provou ser infrutífero, já que eles não puderam achar falta alguma nele. O que eles encontraram foi fidelidade, honestidade e diligência, os mesmos tipos de qualidade que ele de­monstraria em sua vida religiosa privada (veja v. 10).

Uma pessoa fiel é alguém em quem se pode confiar. Um indivíduo que não é desonesto nem negligente não pode ser subornado para que abra mão dos seus valores nem distraído dos seus deveres.

5 Como a vida pública de Daniel estava acima de qualquer censura, seus oponen­tes procuraram em outra parte. Eles determinaram que a sua lealdade à lei do Deus dele poderia fornecer a oportunidade (v. 5). A lei referenciada aqui incluía a totali­dade das práticas hebraicas articuladas pela Torá.

Ela é sucintamente resumida em Deuteronômio 6.4,5: “Ouça, ó Israel: O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor. Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todas as suas forças”. Isso estabelece a principal questão da história.

A fidelidade do profeta Daniel a Deus seria colocada em conflito direto com o seu compromisso com o estado. A lei de Deus e “a lei dos medos e dos persas” entrariam em conflito uma contra a outra (Dn 6.8,12,15).

A descrição do dilema dos conspiradores nos versículos 4 e 5 inclui o ter­mo encontraremos (sãkaly), uma palavra significativa na história. Os oponen­tes de Daniel tentam “encontrar” falhas em sua conduta, mas não “encontram” nenhuma. O que eles “encontram” é fidelidade. Quando eles percebem que não podem “encontrar” o que estão procurando, eles começam a procurar algo em sua religião. Eles “encontram” Daniel orando fielmente como esperavam (v. 11).

No final, eles constatam que ele é inocente (v. 22) e o encontram sem nenhum ferimento por causa da sua fidelidade (v. 23). As descobertas dos cons­piradores guiam o leitor pela história. Aqueles que prestarem atenção desco­brirão a mesma verdade sobre Daniel que os seus antagonistas descobriram.

6 O plano dos detratores de Daniel era persuadir o rei a emitir um decreto que forçasse o profeta Daniel a decidir entre as suas lealdades. Ele teria de escolher entre a lealdade ao estado e a lealdade ao seu Deus. Os supervisores e os sátrapas que estavam envolvidos na intriga de comum acordo, foram falar com o rei para fazer a sua proposta (v. 6).

A expressão de comum acordo (regas) debo­cha das atividades frenéticas dos conspiradores. Ela expressa o retrato de uma comoção ou um reboliço como um oceano turbulento. Os conspiradores são descritos desse modo três vezes (v. 6,11,15).

Há uma ambiguidade proposital na forma como o grupo foi falar com o rei (v. 6). Pessoas comuns se apresentam “diante” do rei (veja Dn 2.2; 3.13; 4.6; 5.13). A preposição usada aqui é “com” (al), que pode ser traduzida como “a respeito do” ou “contra”.

Portanto, o narrador pode estar sugerindo que os conspiradores estavam fazendo uma comoção “a respeito do” rei para lisonjeá­-lo e ganhar a sua aprovação. Adicionalmente, poderíamos ouvir o texto dizen­do que eles estavam incitando uma comoção “contra” o rei.

Os conspiradores começaram a sua proposta com um discurso respeitoso e apropriado para a realeza, Ó rei Dario, vive para sempre! (v. 6). Em seguida, eles dão a falsa impressão de amplo apoio para sua proposta, alegando que uma longa lista de altos funcionários do governo havia concordado (v. 7). A lista de autoridades é semelhante ao encontrado em Daniel 3.3.

7 A proposta do grupo foi que o rei emitisse um decreto que solidificaria a lealdade [dos seus súditos] a ele. Ninguém poderia orar a qualquer deus ou a qualquer homem, à exceção do rei (v. 7). Embora as palavras usadas aqui talvez impliquem a deificação do rei, esse conceito não se encaixa bem ao que conhecemos sobre os costumes persas (veja Por trás do texto, anteriormente).

É mais provável que o objetivo do decreto fosse tornar o rei o único representante dos deuses durante esse breve período. Aqueles que seguissem o decreto estariam afirmando a soberania do rei, assim como a sua lealdade a ele e ao estado.

A penalidade para aqueles que não seguissem o decreto era uma morte certa e horrível por intermédio de leões. Aqueles que não se prostrassem ao rei do estado deveriam enfrentar o rei dos animais. A imagem de um animal tão feroz eleva a intensidade do drama. Há altos interesses em jogo.

8-9 Os conspiradores instigam o rei a emitir o decreto e assiná-lo (v. 8). Injunções por escrito incluíam o selo do anel-selo do rei, que impedia que os editos fossem violados. De extrema importância para os oponentes do profeta Daniel é que o decreto não seja alterado ou revogado. Nenhuma modificação ou revi­são pode ser permitida.

A lei dos medos e dos persas é evocada como o padrão das regulamentações irrevogáveis. Isso reflete a firmeza e a consistência com as quais esses dois grupos de pessoas aparentemente executavam as suas decisões. O versículo 9 relata que o rei cedeu à proposta que lhe foi apresentada.

O destaque para a imutabilidade do decreto enfatiza as circunstâncias impossíveis do profeta Daniel. Não há alternativa. Ele terá de confrontar esse decre­to. Portanto, a tensão da história aumenta consideravelmente. O cenário está pronto para um confronto dramático entre Daniel e o decreto.





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Até a próxima! Que Deus te abençoe.

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